Escolhas metodológicas precisam de justificativa
Explique por que o desenho escolhido permite examinar o problema. Descreva contexto, fontes, critérios de seleção e análise, mostrando a ligação entre essas decisões. Uma tese pode usar diferentes etapas, mas elas precisam formar um percurso coerente. Um estudo com entrevistas e documentos, por exemplo, deve explicar como essas fontes contribuem conjuntamente para a investigação.
Rigor e transparência do procedimento
Registre como os dados foram obtidos, tratados e analisados. Na pesquisa qualitativa, explicite o percurso interpretativo; na quantitativa, descreva medidas e procedimentos compatíveis com o desenho. Os critérios de rigor variam entre abordagens. Procure permitir que o leitor compreenda as decisões e avalie o alcance dos resultados, sem transformar transparência em uma promessa de ausência de limitações.
Mudanças durante a investigação
Uma condição de campo ou característica da base pode exigir ajustes. Descreva o que mudou, por qual razão e quais consequências a mudança trouxe. Não reescreva o método como se o planejamento original tivesse sido executado integralmente quando isso não ocorreu. Comprar apoio metodológico exige compartilhar o percurso real da pesquisa e os registros que sustentam a descrição.
EXEMPLO DIDÁTICO
Distinguir comparação de casos e demonstração de causalidade
Exemplo fictício para fins didáticos; não representa um cliente ou uma pesquisa realizada.
Considere uma tese fictícia que compare duas instituições com resultados diferentes. A simples diferença entre elas não prova que uma política causou o resultado. Elas também podem diferir em recursos, perfil dos participantes e contexto. O desenho deve explicar a lógica de seleção e como essas alternativas serão examinadas.
Uma estratégia de casos pode combinar documentos, entrevistas e sequência de acontecimentos para investigar mecanismos. Já uma estimativa causal exige condições específicas e uma discussão própria. Usar a palavra “impacto” no objetivo não cria essas condições. Ajuste a linguagem ao que o desenho consegue sustentar.
Em métodos mistos, descreva onde ocorre a integração: uma etapa pode orientar a seleção da outra, os resultados podem ser comparados ou ambos podem compor uma interpretação. Apenas apresentar uma planilha e algumas entrevistas em capítulos separados não demonstra integração. Registre também divergências entre fontes e explique como foram tratadas.
Como aplicar estas orientações ao seu trabalho
- Identifique a contribuição e que evidência seria necessária para sustentá-la.
- Justifique a seleção de casos, participantes ou documentos em função da pergunta.
- Descreva procedimentos de coleta e análise com detalhes relevantes para avaliar o percurso.
- Explique como fontes ou etapas se integram, quando houver mais de uma abordagem.
- Registre alternativas explicativas, mudanças de procedimento e limites de inferência.
Um cuidado importante
Não confunda detalhamento com uma lista de definições de métodos. O capítulo deve explicar sua pesquisa. Uma revisão de conceitos metodológicos só ajuda quando fundamenta escolhas concretas do desenho.
Perguntas sobre desenho metodológico da tese
Usar vários métodos torna a tese melhor?
Não automaticamente. A combinação precisa responder a uma necessidade da pesquisa. Acrescentar procedimentos sem função clara pode tornar o desenho mais complexo sem produzir evidências úteis.
Devo relatar limitações do método?
Sim. Explicar limites ajuda a interpretar os resultados e a delimitar as conclusões. Uma limitação descrita com clareza permite avaliar o alcance da investigação.
Toda tese precisa de métodos mistos?
Não. A escolha depende da pergunta e da contribuição. Métodos mistos exigem uma razão para combinar abordagens e um plano de integração; acrescentar técnicas sem função pode tornar a pesquisa menos coerente.
Como justificar a escolha dos casos?
Explique os critérios e sua relação com o argumento. Casos contrastantes, típicos ou reveladores cumprem funções diferentes. Acesso e conveniência podem influenciar a escolha, mas seus efeitos precisam ser discutidos.
Referências e materiais para consultar
Estas fontes públicas complementam o guia. Use as orientações compatíveis com a área e o regulamento da sua instituição.
Guias internacionais e de áreas específicas são materiais de consulta; não substituem o manual do seu programa.